Encalhados numa ilha

   Quem nunca fez uma loucura para a sua namorada, noiva, esposa ou companheira? Bom, com certeza se você esta amando mesmo a pessoa, sem dúvidas acaba fazendo esse tipo de coisa com uma certa frequência, ao ponto de até parecer normal, mas e quando um dia que era pra ser simplesmente normal acaba se tornando uma loucura por causa do destino? Pois bem... as vezes fazemos loucuras e nem percebemos e as vezes fazemos loucuras sem esperar para a pessoa amada, e tem vezes que passamos a loucura juntos.
   Hoje vou contar uma história que aconteceu comigo e com a minha namorada, um dia que era pra ser normal com os amigos e acabou se tornando uma loucura por culpa do tempo. O fato é real, mas vou contar de um modo fantasioso pra deixar um ar de graça e ver se os envolvidos conseguem se identificar e alguns de vocês leitores, com certeza vão lembrar de um momento que passou pelo mesmo ou algo parecido.

  Há um tempo atrás, foi criada uma cidade sob o mar, estilo Vezena - Itália, só que ela não é tão grande, é nova e por isso os canais são bem largos e as coisas muito longe umas das outras. É praticamente impossível navegar a remo (se bem que tem uns doidos que fazem isso) e era preciso fazer a utilização de uma embarcação. Sim, essa cidade fica no Brasil.
  Existe uma embarcação muito conhecida no local por alguns, bem grande e antiga, sem toda essa tecnologia de hoje em dia, mas que funciona muito bem e pintada com um azul lindo, cor preferida do seu dono que mesmo com outra embarcação, prefere utilizar essa.
  Seu dono era um comandante muito gentil que sempre ajudou as pessoas no que fosse possível e por conta disso dentro de sua embarcação sempre tinha pessoas diferentes e quando não tinha, ele não passava sozinho, sua namorada e fiel companheira sempre estava junto, o acompanhando nas diversas viagens.
  Em um dia calmo, o comandante e ela decidiram visitar uma pequena amiga em comum chamada Camila e decidiram levar uma outra chamada Isabela para passar um tempo juntos. Então os dois entraram na embarcação do comandante e passaram na casa da Isabela para pegá-la e depois foram para a residência da Camila.
   Chegando lá, não estava apenas sua amiga, mas estava uma outra amiga chamada Daniele e toda a sua família,  por coincidência ninguém decidiu sair aquele dia até o momento e então todos sentaram no quintal da casa e ficaram conversando por horas, matando a saudade e rolando diversos assuntos, até que Camila decidiu fazer um doce para todos, mas estava faltando um ingrediente essencial e o comandante com toda sua gentileza se ofereceu para buscar a mercadoria.
   Entraram na embarcação, além do comandante e sua namorada, a Camila e a Isabela e todos foram para um estabelecimento efetuar a compra, mas chegando lá, foram informados que pagariam mais barato se trouxessem a embalagem usada do produto e então voltaram para a casa da Camila pra buscar. Quando conseguiram e voltaram para o estabelecimento, foram frustados novamente com a notícia de que aquela embalagem em especifico não valeria para a promoção e então todos decidiram ir a um mercado comprar.
   O local estava lotado de outras embarcações e tinha apenas um espaço apertado que era possível ancorar desde que alguém ficasse tomando conta. O comandante e sua namorada ficaram, enquanto a Camila e a Isabela foram comprar o produto. Voltaram com ele em mãos, não era a marca que queriam e muito menos a quantidade, mas dava pro gasto e então retornaram a  moradia. Lá ainda estava muita gente e então ficaram por muito tempo conversando, só que agora experimentando o doce finalmente feito!
   Com o tempo as pessoas foram indo embora e já estava escurecendo quando o comandante, sua namorada, Camila e Isabela decidiram comer uma pizza. Mal sabiam eles a furada em que estavam se metendo.
    Por sorte, quando chegaram, logo de cara acharam um local para ancorar e perceberam que o comércio também vendia sfihas e então começaram a encher suas barrigas. Até que, quando estavam acabando suas refeições, uma chuva forte começou a cair, com ventos que chegavam a fazer barulho e o mar começou a ficar agitado, ficou tão nervoso que parecia que iria quebrar as embarcações.
   O comandante alertou e todos voltaram desesperadamente para a embarcação e só Deus sabe o quanto de medo e manobras eles tiveram que fazer até chegarem na casa da Camila, mas infelizmente não puderam parar lá, não com o mar daquele jeito, era arriscado, eles poderiam afundar. Então o comandante continuou um pouco mais a frente e para não correr mais riscos, teve que encalhar em uma ilha.
 

   A chuva foi apertando, os ventos ficando cada vez mais fortes e todos estavam com medo de que as ondas gigantes ficassem cada vez mais gigantes e acertassem a embarcação na ilha. Se isso acontecesse o pior poderia acontecer com todos eles. Foi tipico um cenário apocalíptico, aonde o mar era atingido por um ou até mais tornados e estava tão escuro que ninguém enxergava nada, só se escutava os trovões, o vento e o barulho forte da água.
   Muitas vezes eles conseguiam escutar e ver algumas embarcações passando, algumas mais fortes, outras nem tanto, mas o medo dominava, ninguém queria arriscar e pra piorar o velho ar condicionado da cabine não estava funcionando, todos estavam fritando.
   Foi uma verdadeira prova de resistência, a Isabela não parava de falar que queria ir no banheiro e que iria explodir, logo ela transmitiu sua vontade para todos e o comandante estava ficando irritado porque ela falava de sua vontade de 5 em 5 minutos enquanto ele tentava esquecer, uma tarefa difícil diante de tanta água caindo na sua frente. 
  A situação foi piorando, a bateria dos celulares foram acabando e todos estavam morrendo de fome, mas a tensão foi tanta que o comandante nem lembrou que sempre levava algo para comer em situações como essa. As vezes eles abriam um pouco as janelas para o ar fresco circular na cabine, outras botavam suas cabeças para fora pra tentarem ver como estava a situação e algumas vezes um ou outro ia até o convés verificar se tinha alguma possibilidade de sair dali. 
  A namorada do comandante ficava desenhando nas janelas com as mãos e com os pés para passar o tempo, até que o seu colar acabou caindo em um vão que tem entre as peças da embarcação e o comandante perdeu a cabeça de tão furioso (por achar que a culpa de tudo aquilo estar acontecendo ser dele) e arrancou a peça com força e conseguiu pegar o colar de volta que estava quase caindo para um canto que seria impossível resgatá-lo. Depois que esfriou a cabeça, ele percebeu que a peça era só de encaixe e resolveu o problema.
  2 horas se passaram e nada da chuva acalmar, até que uma embarcação menor, porém mais nova, conseguiu chegar até a ilha. Era o pai da Camila que veio buscá-la, era arriscado, mas o caminho dele era curto, diferente do caminho de nosso comandante que teve que continuar ilhado junto com sua namorada e a Isabela. 


   Algumas outras embarcações passavam, e a cada uma  que eles viam, eles tiravam coragem de sair de lá, porém logo lembravam dos navios muito maiores e mais fortes afundando que viram durante o caminho até aquela ilha e então ficaram lá por mais 3 horas.
   Era 4 horas da madrugada quando em sua ultima visita ao convés, o comandante viu uma possibilidade de sair dali, era tudo ou nada, era arriscar ou ficar ilhado lá por um bom tempo. Então ele decidiu arriscar e sabe-se lá como ele conseguiu desencalhar a embarcação. Ele decidiu ir até a casa de sua namorada, um longo caminho cheio de desafios que ele teve que superar, um verdadeiro caos, mas conseguiu.
   Todos dormiram lá, pois naquelas condições, não dava para levar a Isabela até sua casa. Isso só foi possível no dia seguinte, quando acordaram e viram que o dia estava tranquilo. No meio do caminho eles viram os grandes estragos feitos por aquela noite.
  Foi uma experiência incrível que com certeza nenhum dos envolvidos jamais esquecerá.


  E você? Tem alguma  história para contar? Gostou do texto? Deixe seu comentário.

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